Os vencedores da temporada são sempre plurais. Depende do que fizeram, dos amigos, das interacções que têm, da simpatia que demonstram e de muito o que, por vezes, não tem lá muito a ver com a arte, mas todos sabemos que é assim.
Alguns tiveram uma temporada mazinha mas numa tarde boa foram vistos, outros tiveram uma temporada boa mas foram vistos numa tarde menos feliz. Como as apreciações têm sempre um grau de subjectividade muito grande, por vezes é injusto que seja “declarado” vencedor da temporada, uma figura, com mérito, mas que pelo facto de se não terem visto outras o julgamento fica longe de ser justo.
Para mim, que só vejo uma quantas corridas e especialmente numa determinada área geográfica, entre Alcochete e Setúbal onde os carteis são repetidos exaustivamente, não me é fácil conseguir dar tais pareceres com total consciência das virtudes ou vicissitudes de este ou daquele.
De qualquer modo fiz as minhas apreciações em função do que fui vendo quer com os meus olhos quer com os dos que lá foram e nos deixaram imagens escritas do que aconteceu. São sempre fontes falíveis porque o modo de interpretar uma arte, seja ela o toureio, a pintura, a música ou o qualquer que seja, é sempre subjectivo e como tal nem sempre o que é descrito se ajusta ao nosso sentir a causa. O truque, nestas situações é informação e quanta mais melhor. Alguém há-de ver como nós ou lá perto.
Como é evidente não vou aqui dizer quais foram as minhas escolhas porque depois de todos os votos democraticamente expressos o que interessa é a ponderação que deles foi feita e, assim sendo, as escolhas são de responsabilidade colectiva e estão publicadas no http://www.naturales-tauromaquia.com/ e revejo-me nelas perfeitamente.
As dúvidas são para ser esclarecidas e se para as esclarecer mete um bocadinho de pesquisa ainda ficamos mais ricos com o que aprendemos.
Na pretérita feira da Moita, que eu tive a sorte de cobrir e tive, também, a honra de em mim ser depositada confiança para tal, vi algum bom toureio a pé, mormente por parte de Maestro Fandi e de alguns novilheiros com muitas maneiras e uma novilheira de se lhe tirar o chapéu.
Durante as lides de capote foram vistosos alguns lances sendo que alguns não eram vistos com muita frequência nas nossas praças com outras gerações de toureiros, nomeadamente as “Zampopinas”.
Ao ler algumas crónicas vi estes lances chamados de “Lopecinas”.
Deixo aqui um link do Youtube onde se vê um quite por “Zampopinas” ou “Lopecinas” feito por Julian Lopez “ El Juli”
Mas tudo isto tem uma explicação e é por isso que vale a pena pesquisar:
Segundo a Wikipédia:
Zapopinas (Lopecinas).Quite vistoso y arriesgado, el creador de este espectaular quite es el Mexicano, Miguel Ángel Martínez Hernández (El Zapopan) de ahí el nombre de la Zapopina, popularizado en España por Julián López El Juli, de ahí que algunos le dan también el nombre de Lopecina.
Já agora, que isto de guardar o que se conhece é muito feio, cá vai o link cuja página todos devíamos ler para não dizermos disparates e em especial quem escreve para não se dar o caso de numa crónica de toureio apeado não vir mencionado o nome de um só passe ou lance.
Agora chega a altura do defeso e dos "balanços" e de olharmos para trás e vermos o que correu menos bem ou mesmo mal, mas não só, também de lembrar os grandes momentos e reviver os triunfos e tirar deles a receita para cimentarmos na próxima época o que de bom esta teve.
Tendo em mente estes pressupostos vamos ver se no próximo ano os cartazes não são tão repetitivos, - aqui na margem sul os artistas são praticamente sempre os mesmos, - se quem merece é repetido, se quem está a despontar vai aparecendo mais, enquadrado com figuras que pode ser exemplo.
Quanto aos forcados que se deixe de ver, por vezes, um número exagerado de elementos na arena. Já contei até quinze e façam as coisas bem feitas, com garra e com gosto.
No que diz respeito aos nossos Matadores gostava de poder vê-los mais vezes em praça. Enquanto são novilheiros sempre vão aparecendo aqui e ali e até em Espanha se fazem notar. Tiram alternativa eclipsam-se e raramente aparecem.
Será que são os apoderados que não os sabem "vender" ou os empresários que têm medo de apostar no toureio a pé que durante tanto tempo teve lugar de destaque na nossa festa?
Uma palavra também para os nossos peões de brega; será que existe alguma mola que os impele para arena mal o cavaleiro crava um ferro para dar um capotazo e voltar a correr para a trincheira?
Se há desliguem-na.
Para os bandarilheiros um olé pelos valentes pares de bandarilhas que tenho visto.
Vamos, então, olhar para dentro de nós e para dentro da festa e ver onde podemos melhorar para termos uma nova temporada com todos gostariamos que fosse.
Agorinha mesmo, quando o último dia deste mes de Outubro ainda tem só alguns minutos, 35 mais propriamente, nasceu o "E se falassemos de troiros?".
Aqui pretendo partilhar textos, tal como o fiz do finado "Sulatino" do Sol, que apenas a mim me responsabilizam. As minhas escritas, para além deste espaço, aparecem também no site " Naturales Correio de Tauromaqui Ibérica" e aí há uma responsabilidade coletiva o que me obriga a, por vezes, não dizer tudo o que me vai na alma no que aos toiros diz respeito. Aqui tenho "terreno onde me posso expandir sem comprometer mais ninguém.
Irei esplanando por aqui o que penso e vejo sobre toiros não descurando a minha participação no site referido onde dá gosto colaborar e me é dada total liberdade de escrita e crítica.