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E se falassemos de toiros?

E se falassemos de toiros?

Corrida da Feira de Maio na Moita

Estreamo-nos, hoje, a fazer crónicas para o nosso blogue  “E se falássemos de toiros ?”.

Estivemos na Moita para assistir à corrida da Feira de Maio.

Por enquanto, ainda não há as célebres largadas na rua mas o ambiente em volta da praça já nos vai matando saudades dos espectáculos, tão ao gosto dos aficionados.

No sábado, na Moita, confrontaram-se jovens com a curiosidade de terem sido os pais a dar-lhes a alternativa.

Os toiros eram da ganadaria de São Torcato com encaste Simão Malta, e estavam anunciados com pesos entre os 455 e os 550 quilos. Quase todos cornalões mas alguns feios de cabeça deixando-se tourear mas a pedir ofício aos cavaleiros e forcados que os haveriam de enfrentar.

Para lidar o primeiro, apresentou-se João Salgueiro da Costa que o recebeu toureando à tira com sortes bem-feitas e os ferros colocados em seu sítio.

Utilizou o mesmo cavalo em toda a lide e nos curtos toureou a quarteio de um modo geral com acerto. O quarto e o quinto ferros empolgaram o público.

Para a pega, saltou Leandro Bravo dos Amadores de Alcochete, grupo que comemora cinquenta anos esta época.

Leandro brindou a ”Mata” que recentemente foi pai.

O alcochetano ficou atravessado na cabeça do toiro e só o grupo o repôs na cara do hastado.

Os mais puristas assobiaram, não considerando a pega consumada.

Ambos os artistas agradeceram nos médios.

O segundo da tarde saiu para Luís Rouxinol Jr que aplicou a lide necessária para o fazer parar, o que foi difícil.

Cravou três ferros à tira, sendo que o último foi a cilhas passadas e com velocidade excessiva; mudou de cavalo para os curtos e toureia a quarteio, começando com um ferro em reunião muito aberta, melhorando a partir daí. No quarto o toiro foi a menos e a reunião ficou comprometida, depois toureou de frente, dando vantagens e foi igual a si próprio. O sexto curto foi um exemplo de bem fazer; devagar, com temple e o ferro fica no sítio. Faltou um bocadinho mais de emoção.

Os Forcados do Aposento da Moita preparavam-se para pegar, quando o toiro rematou na trincheira, partindo o corno.

Luís Rouxinol Jr. agradeceu nos médios.

António Prates toureou o terceiro da ordem.

Começou com duas sortes à tira, bem feitas, mudou de cavalo para os curtos e toureia a quarteio deixando o segundo algo traseirote, melhorou nos terceiro e quarto, de seguida vai buscar outro cavalo e coloca o toiro para uma sorte a quiebro que o público gostou e aplaudiu com força.

Tiago Cação dos Amadores de Alcochete pegou à segunda tentativa. Bem a recuar, bem a receber e a fechar-se com uma boa ajuda do grupo.

Ambos os artistas agradeceram nos médios.

O segundo de João Salgueiro da Costa foi o mais feio da corrida. Uma córnea desigual que fez estragos na trincheira.

Depois de o ter recebido com as habituais sortes à tira, crava o primeiro curto de praça à praça, bonito de se ver. Os restantes ferros foram sempre coroados com uns quantos toques, alguns violentos e por fim, no quinto curto faz tudo bem feito e entra com calma cravando o melhor ferro da lide.

Os Forcados Amadores do Aposento da Moita, cujo cabo é Leonardo Mathias, brindaram a pega aos Amadores de Alcochete, na pessoa do seu cabo, Nuno Santana, pelo quinquagésimo aniversário do seu grupo. No final do espectáculo foi-lhe entregue uma lembrança para que a efeméride fique assinalada.

Pegou Fábio Matos que só à terceira e com ajudas mais coesas, conseguiu o seu desiderato.

Face ao desempenho do cavaleiro e do forcado os artistas não vieram à arena.

Dizem os nossos vizinhos espanhóis que não há quinto mau e aqui, também isso se verificou, mau grado a falta de força nas mãos, foi sempre voluntarioso.

Rouxinol Jr. recebeu-o com uma sorte de porta gaiola, colocando o ferro no murrilho, mesmo com uma velocidade incrível a sorte saiu limpa e a praça ficou em polvorosa.

Grande início de lide!

Os ferros seguintes foram cravados com critério, não apertando de mais com o toiro dada a sua debilidade nos quartos dianteiros o que não impediu de colocar quatro curtos e dois palmitos que muito agradaram ao conclave.

A pega deste toiro cabia aos Amadores de Alcochete, mas como os da Moita haviam pegado um toiro a menos, dada a lesão do seu primeiro, os homens de Alcochete pediram que se juntassem a eles quatro elementos moitenses e assim estiveram a ajudar José Freire, para além dos seus companheiros habituais, quatro homens da Moita.

Os modos e a seriedade do cite do forcado fizeram com que os espectadores se calassem num silêncio de respeito, em que quase se ouviam as moscas, se as houvessem.

O toiro arrancou no tempo, entrou pelo grupo com o “cara” a fechar-se como mandam as regras e superiormente ajudado pelo grupo. Uma grande pega.

Ambos os artistas agradeceram no centro da arena.

A António Prates coube-lhe encerrar a função, o que fez com qualidade e bom gosto.

Quer os ferros à tira com que começou a lide, quer os curtos com que prosseguiu, foram sempre cravados em seu sítio e apenas a reunião do terceiro curto foi a cilhas passadas.

De seguida troca de montada e faz um quiebro muito marcado mas que o público gosta. Para terminar a lide cita em curto, diria mesmo muito curto, provoca a investida do toiro e num palmo de terra faz um quiebro que faz levantar a praça e fica no ar o som dos êxitos.

Aos forcados da terra coube-lhe fechar a tarde que também brindaram ao recém papá “Mata”.

André Silva chamou de longe e foi, muito lentamente, encurtando distâncias. O público calou-se e só se ficou a ouvir o som de uma motoreta nas imediações da praça. O toiro não se concentrava no forcado mas este fez o que lhe competia, até que o oponente se arranca forte e impetuoso, mas tinha à sua espera uns braços e um grupo que estavam predispostos a fechar a corrida com chave de ouro, o que aconteceu.

Dirigiu o espectáculo o delegado técnico Ricardo Dias, coadjuvado pelo veterinário Carlos Santos.

Tivemos ao longo do espectáculo o acompanhamento da Banda do Rosário.

Face às condicionantes, diria que esteve uma muito boa casa.

 

 

Rui Loução e Clara Santos

 

Eis a primeira de muitas mais crónicas que por aqui vão aparecer, sempre com a nossa verdade que não queremos que seja a única!

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