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E se falassemos de toiros?

E se falassemos de toiros?

Ferros que o meu povo gosta, mesmo que o Rei vá nu!

 

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Pensei e repensei, montes de vezes, antes de escrever o que tenho para dizer.

Isto apenas me responsabiliza a mim e nada tem a ver com as minhas colaborações em outros órgãos de comunicação!

Há dias, vi num vídeo, em camara lenta, um ferro cravado por João Ribeiro Telles.

O João Ribeiro Telles é dos profissionais de toureio, que mais admiro e que muito estimo.

Não tenho o prazer de o conhecer pessoalmente e talvez isso me dê o distanciamento suficiente para lhe dizer que às vezes é preciso que alguém diga, que o rei vai nu.

De um modo geral o rei não o admite porque todos lhe dizem que vai vestido!

Muito provavelmente nunca irá ler a minha opinião e isso também não é importante, mas cá vão as razões do que escrevi, relativamente a essa sorte.

No comentário que fiz, disse que ia ser desmancha-prazeres e quero aqui expressar as minhas razões. Vi que a sorte em causa, foi sobejamente elogiada com superlativos que levariam a concluir que só por si valia uma volta à arena (quando se podia dar!); contudo, pode ver-se que não são dadas vantagens ao toiro na sua investida e depois de um quiebro quase repetido, não há reunião na sorte e o ferro fica a cilhas passadas.

O que escrevi foi que para pôr um ferro a cilhas passadas, não era preciso tanto espalhafato.

Segundo as melhores teorias, a reunião acontece, quando a trajectória da investida do toiro intercepta a trajectória da deslocação do cavalo, devendo formar um ângulo agudo, ou no máximo, um ângulo recto; escrevia isto Sommer d’Andrade, homem de muitos saberes e mestre nesta arte. Acontece que nesta sorte não há intercepção de trajectórias porque o toiro sai paralelo ao cavalo e o cavaleiro tem que se esticar para que o ferro fique no morrilho.

Mestre João Núncio dizia: “a nós, cabe-nos lá pôr o cavalo e a este, cabe-lhe sair de lá”.

Foi pena não ter conseguido, agora, localizar esse documento para poder fundamentar as minhas razões.

Acabei de ler uma homenagem de um grande ganadero português, Dr. Joaquim Grave, a António Telles, tio do João e que sintesia o que aqui escrevi:

... António, és a forma porque és estética, és conteúdo porque és a ética. Caramba António, nunca te vi enganar um toiro! És muito mais subtil...desengana-los.

Pelos vistos não sou só eu que penso assim e nisso estou bem acompanhado.

 Não sei se com isto ajudo alguma coisa, mas foi isto que senti e eu sou a pessoa que mais quer estar em paz consigo mesma.

 

Um abraço e boas faenas!

 

Rui Loução

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