A Festa, em Portugal, precisa de um empurrãozinho ou de um empurrãozão?
Tenho visto, ouvido e lido, não o posso ignorar (onde é que eu já ouvi uma coisa parecida?) que a Festa está em baixo e é-lhe anunciada a morte a breve prazo.
Mas isto é uma história mal contada, não só para quem isso seria uma prenda como para quem está prestes a entregar o ouro ao bandido.
Depois há quem não tenha, nem arte nem engenho, para dar a volta a este triste texto e ache que mais vale ficar por aqui do que lutar com arreganho!
Mas isto não se passa só na casa do vizinho, passa-se entre os aficionados, entre os organizadores dos eventos e de um modo geral por todo o mundo taurino.
Até há algum tempo, era bom saber-se que havia gente que ia aos toiros sem ser só com o interesse em ver a corrida mas também para dar conta a quem não pudesse ir, do que se tinha passado no espectáculo.
Agora até esses são barrados em algumas praças!
Tenho pena que assim seja, porque, efectivamente, a razão está do nosso lado! Nós, - quer os artistas, quer quem lhes dá voz -, somos os depositários das tradições dos povos que desde a idade da pedra habitaram estas terras e deixaram retratadas em figuras rupestres, como as existentes no Vale do Côa, o modo como já então se relacionavam como os bovinos!
Temos que levantar bem alto a voz da nossa indignação e voltar a encher as praças, dentro dos novos condicionalismos, mas rendermo-nos, NÃO!
Tendo ultimamente visto várias corridas em Espanha, através das plataformas informáticas, fiquei, não raras vezes, algo perplexo! Será que os nossos matadores não têm qualidade para enfrentarem estes toiros e fazer frente a estes seus colegas do lado de lá da fronteira?
Bastou que na feira de Badajoz dessem oportunidade ao Juanito e a coisa ficou esclarecida!
Primeira corrida, saída em ombros!
A montagem dos cartéis, por vezes, não tem muito a ver com a qualidade dos actuantes, mas sim com o poder de influência da sua equipa de apoderamento.
Nas corridas que tenho visto, é vulgar ver tourear com passinhos para trás, toureando pelo bico da muleta, por “derechazos” menos mal, mas por naturais, a coisa pia mais fino. Nas bandarilhas, então, não é raro vermos os profissionais do ofício, em vez de cravarem as bandarilhas, atirarem-nas para as costas do morlaco e porem-se ao fresco para as tábuas.
Não tenho dúvidas que gente como o Juanito, O Cuqui, O Casquinha e mais alguns, dariam barba e cabelo a gente que se dispõe a aparecer em público, com ares de doutores em toureio e afinal não passam de aprendizes de feiticeiro.
Para além do toureio a pé em que não temos medo de pedir meças a quem quer que seja, assim sejam dadas oportunidades aos nossos espadas, no que diz respeito à arte de Marialva, dificilmente há quem nos bata e o mesmo se aplica à arte única dos nossos Forcados que transforma o espectáculo tauromáquico em algo transcendental.
Temos todas as receitas para relançar a Festa, só nos falta mesmo que as gentes dos toiros dêem as mãos, cerrem fileiras e mostrem de que materiais são feitos, como se viu recentemente em Santarém!

Juanito e Ferrera em ombros na primeira da feira de Badajoz!
(foto toureio.pt)
Vamos a eles!
Esta vai por vocês!